Sem categoriaDrenagem linfática manual - Clinica CDM

20 de março de 20210

Por que você deve fazer drenagem linfática no pós-operatório?

No procedimento cirúrgico ocorre um corte na pele, considerado um trauma mecânico, controlado, mas que pode alterar a estrutura ou função dos vasos linfáticos, devido a laceração ou compressão durante o ato cirúrgico. Essa obstrução mecânica do retorno linfático e venoso altera o equilíbrio das tensões e é esse desquilíbrio que resulta na presença de edema.

O edema pode ser definido como o acúmulo de excesso de líquido no espaço intersticial como resultado do desequilíbrio entre a pressão interna e externa da membrana da célula.  Além disso, pode aparecer hematomas ou equimoses pelo rompimento de vaso sanguíneos. O desequilíbrio de tensões causa dor. Pode provocar alterações e intercorrências na pele como fibroses, aderências, seromas, hiposensibilidade e cicatriz patologias.

Consciente desse processo o médico cirurgião orienta e indica um recurso terapêutico, comprovadamente, capaz de estimular o sistema linfático e eliminar as toxinas e líquidos excedentes para promover um equilíbrio das tensões, reduzindo os sintomas e prevenindo as intercorrências.

A drenagem linfática manual DLM é uma técnica de massagem terapêutica não invasiva, feita de forma leve e unidirecional e atua diretamente no sistema linfático. A drenagem influência de forma direta no sistema imunológico e vascular. Proporciona uma melhora significativa na textura da pele, redução do edema, previne seroma, ausência de nodulações fibróticas no tecido subcutâneo e minimiza possíveis aderências teciduais. A DLM auxilia ainda no processo de cicatrização, retorno precoce de áreas com hipoestesias, redução de hematomas e equimoses, além de melhorar a circulação venosa, linfática e o tônus muscular.

Para a realização da drenagem nestes procedimentos cirúrgicos, é muito importante o conhecimento da anatomia e fisiologia linfática para que as manobras feitas pela fisioterapeuta possam deslocar as proteínas extravasadas no líquido intersticial e conduzir para a filtração e reabsorção, equilibrando assim a pressão hidrostática e tissular e diminuindo o edema.

O sistema linfático é uma rede de vasos, constituído por vasos linfáticos iniciais ou capilares linfáticos, pré-coletores, coletores linfáticos, troncos linfáticos, dutos linfáticos, linfonodos, linfa e órgãos como timo e baço. Esse sistema é uma via secundária de acesso. Por essa via proteínas, líquidos e células mortas, vírus são retirados do interstício, filtradas e posteriormente, devolvidas a corrente sanguínea. Esse papel do sistema linfático é primordial para o equilíbrio proteíco, produção de linfócitos e homeostasia.

O sistema linfático é diferente do sistema sanguíneo, embora trabalhem em conjunto. O linfático não possui uma bomba (coração) impulsionado o retorno como acontece no sanguíneo, ele depende da contração das veias, artérias e músculos. Dessa forma, quanto mais imóvel a pessoa fica mais comprometido estará o seu sistema linfático. Nesse sentido, a pessoa no pós-operatório pode ter restrições de movimentos e posições, com isso, favorece a presença de edema.

O início do tratamento do pós-operatório varia de acordo com o médico cirurgião que realizou a cirurgia. Alguns encaminham seus pacientes entre 5 e 8 dias pós- cirurgia, outros encaminham do 6 aos 15 dias, onde as células estão na fase proliferativa do processo cicatricial. Entretanto, o recomendado é que seja iniciado o tratamento de pós-operatório no período de 72 horas após o ato cirúrgico cuja finalidade é realizar o tratamento de acordo com a fase que o paciente se encontra, seja ela de inflamação, proliferativa ou reparadora. Quanto mais precoce ser a atuação da fisioterapia com a drenagem linfática e o retorno as atividades como deambulação precoce mais rápido e segura será o pós-operatório.

 

 

 

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